A Escoliose em Crianças e Adultos

Afinal, o que é a Escoliose?

Imagine a nossa coluna vertebral vista de lado. Ela possui curvaturas naturais, que são perfeitamente normais e essenciais para o nosso equilíbrio e para a absorção de impacto. Agora, imagine a coluna vista de frente ou de costas. Nesse ângulo, ela deveria ser reta.

A escoliose acontece quando a coluna desenvolve uma curvatura para o lado, formando um “C” ou um “S”. É um desvio tridimensional, ou seja, além da curva para o lado, as vértebras também podem girar sobre si mesmas. Esse desvio pode surgir em qualquer fase da vida e as causas, sintomas e tratamentos variam bastante, principalmente entre crianças e adultos.

Escoliose: tipos de curvaturas
Escoliose: Tipos de Curvaturas

A escoliose nas crianças e adolescentes

Quais as causas?

Na grande maioria dos casos (cerca de 80%), a escoliose que surge na infância e, principalmente, na adolescência, é a chamada escoliose idiopática. Esse nome “difícil” significa simplesmente que não sabemos a causa exata. Não é por má postura, por usar mochila pesada ou por dormir de mal jeito. Acreditamos que há um forte componente genético envolvido.

Como os pais podem desconfiar?

A escoliose idiopática raramente causa dor. Por isso, os sinais são visuais e posturais. Peça para seu filho ficar de pé, com os braços ao lado do corpo, e observe-o de costas. Fique atento a:

  • Um ombro que parece mais alto que o outro.
  • Uma “asa” (escápula) mais proeminente que a outra.
  • A cintura que parece assimétrica ou desigual.
  • A bacia inclinada para um dos lados.
  • Quando a criança se inclina para a frente (como se fosse tocar os pés), um lado das costas fica mais elevado que o outro. Este é o chamado Teste de Adams, um dos mais importantes na triagem.
O Teste de Adams importante na triagem da escoliose
O Teste de Adams se apresenta como um alongamento, mas é um dos mais importantes na triagem

Qual o objetivo do tratamento?

Na criança e no adolescente, nosso principal objetivo é impedir a progressão da curva durante a fase do estirão de crescimento. Queremos que a criança chegue à vida adulta com uma curva que não lhe traga problemas futuros.

  • Observação: Para curvas consideradas pequenas, o tratamento é simplesmente observar. Marcamos consultas periódicas com radiografias para garantir que a curva não está aumentando.
  • Coletes Ortopédicos: Para curvas moderadas em crianças que ainda têm muito o que crescer, o colete pode ser indicado. Ele não “endireita” a coluna, mas funciona como um “freio”, segurando a curva e impedindo sua piora durante o crescimento. Sabemos que não é fácil para um adolescente usar o colete, mas o esforço vale a pena para evitar uma cirurgia no futuro.
  • Fisioterapia e RPG: Exercícios específicos, como a Reeducação Postural Global (RPG), ajudam a melhorar a flexibilidade, a consciência corporal e a fortalecer a musculatura, sendo um importante aliado no tratamento.
  • Cirurgia: A cirurgia é reservada para os casos de curvas graves e com alta probabilidade de progressão. O objetivo é corrigir a deformidade e estabilizar a coluna para prevenir problemas respiratórios e neurológicos no futuro.

A escoliose nos adultos

Muitos adultos que têm escoliose já a desenvolveram na adolescência (e talvez nunca tenham tratado), enquanto outros desenvolvem o problema já na fase adulta.

Quais as causas?

A escoliose no adulto pode ter duas origens principais:

  1. A Escoliose do adolescente que progrediu: Uma curva que já existia na juventude e que, com o tempo, foi aumentando lentamente.
  2. Escoliose Degenerativa (ou “de Novo”): Esta é a mais comum de surgir na vida adulta. Ela acontece pelo desgaste natural das “almofadinhas” (discos) e das articulações da coluna, típico da artrose. Esse desgaste assimétrico faz com que a coluna vá, aos poucos, “entortando”.

Quais os sintomas no adulto?

Diferente das crianças, no adulto o principal sintoma é a DOR. Geralmente é uma dor lombar que pode ou não irradiar para as pernas (muito parecida com a dor ciática que já conversamos aqui no blog). Outros sintomas comuns são:

  • Sensação de cansaço ou fadiga na região lombar e nas costas.
  • Perda de altura.
  • Dificuldade para manter a postura ereta por muito tempo.
  • A percepção de que o tronco está se inclinando para um dos lados.
Fadiga, dores e sensação de inclinação são os sintomas mais comuns de escoliose
Além da dor, fadiga e a percepção de inclinação são sintomas comuns de escoliose

Como tratamos a escoliose no adulto?

O foco aqui muda. Não estamos mais preocupados com o crescimento. O objetivo principal do tratamento no adulto é aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida.

O tratamento é quase sempre conservador, ou seja, sem cirurgia. Ele se baseia em:

  • Medicamentos: Analgésicos e anti-inflamatórios para controlar as crises de dor.
  • Fisioterapia e Fortalecimento: Essencial! O foco é fortalecer a musculatura do abdômen, da lombar e do quadril para dar mais estabilidade à coluna e aliviar a sobrecarga nas articulações desgastadas.
  • Infiltrações: Assim como na dor ciática, podemos aplicar medicamentos diretamente nos pontos de dor e inflamação na coluna para proporcionar um alívio mais rápido e duradouro.
  • Mudanças no estilo de vida: Perder peso, praticar atividades de baixo impacto (como hidroginástica ou pilates) e cuidar da postura são atitudes fundamentais.

A cirurgia no adulto é uma decisão muito mais complexa e é indicada apenas quando a dor é incapacitante e não melhora com nenhum tratamento conservador, ou quando há um desequilíbrio postural muito grande.

Importante!

Seja qual for a idade, o diagnóstico de escoliose pode assustar, mas é importante saber que existem inúmeras formas de tratamento. Para os pais, o mais importante é o diagnóstico precoce e o acompanhamento regular. Para os adultos, é fundamental entender que é possível controlar a dor e ter uma vida ativa e saudável.

Nunca ignore os sinais da sua coluna. Ela é o pilar que sustenta seu corpo. Cuide bem dela!

Um forte abraço,

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